Abandonada num bordel de putas baratas,
Com as pernas arreganhadas feito garranchos.
Falsa virgem violada pela descrença,
Enrabada pelo desejo cru de possuir.
E meu coração eu deixei nas pedras
Frias dos senhores de açougues.
Meu sangue derramei pelas sarjetas.
E deixar meus ossos serem roídos pelos cães?
Até minha alma eu deixarei para o demônio
Se o preço pagar todas as minhas dívidas
Que foram contraídas pela usura alheia.
Nada sacia a fome da descrença,
Em sua boca escancarada e sem dentes,
Cheia de formigas, de gafanhotos.
Tudo o que podia eu dei como crédito.
E tudo foi mastigado, comido, engolido
E ainda assim querem mais e mais,
Enquanto gritam em escárnio:
-Tragam o devedor.
6 comentários:
Muito forte e me lembrou um pouco Pessoa ou talvez até Versos Íntimos, o poema...
"E meu coração eu deixei nas pedras
Frias dos senhores de açougues.
Meu sangue derramei pelas sarjetas"
Adoro suas poesias!
Me identifiquei com o poema, dolorosamente: "E meu coração eu deixei nas pedras". Muito bom.
Aquele abraço!
"E tudo foi mastigado, comido, engolido
E ainda assim querem mais e mais..."
'- Sempre querem mais, querem nossa vida por inteiro, nosso coração numa badeja, aberto, devorado pelos querem nos ver até o osso, ver nossos defeitos espalhados como baralhos de um jogo proibido, ver nossas palavras pisarem nos nossos atos recortados, desfeitos em linguagem quase hermética. Querem, sempre querem - mas o que posso fazer se sempre quero dar?'
É triste, mas quem disse que a tristeza não fazia parte também da vida vivida por inteira?
Sopros confusos, de um coração corrompido
O dificil é não ter como e nem com o quê pagar.
Olá!
Tua poesia é forte, e carecemos disso..
Publiquei, depois de algum tempo sem ter tempo pra digitar pacientemente, o texto sobre as flores copo-de-leite : http://euconheciumaguria.blogspot.com/2011/10/sobre-as-flores-copo-de-leite.html
Grande abraço!
Nossa, vi muito vermelho por aqui!
Adoro isso!
beijos
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