07 Setembro 2011

Passagem



Se eu sofro, dizem que isso passa. Se eu me alegro, falam para aproveitar o momento, pois tudo passa. Acontece que cansei das coisas passarem, me fartei da passagem do tudo e do nada, do eterno, do finito, da porta aberta e fechada pelo tempo. Não quero passar e nem mesmo durar. Não quero que passem e nem que fiquem.
Quebrei relógios, rasguei calendários, esqueci quanto dura um dia e das fases da lua. Meses não mais possuem nomes e os anos tornaram-se uma questão mais gramatical do que matemática.
E com o mesmo martelo que badala nos despertadores abrir um furo em minha cabeça, dissecando a anatomia física de minha mente, chegar onde os miolos perdem o sentindo, perdem a ponte entre os hemisférios da razão.
Descer ainda mais, camada por camada, até chegar ao obscuro, ao desconhecido, chegar ao inconsciente, e por fim, libertar esta fera, este demônio primordial deixando-me assumir pela demência. E possuído, gritar num brado inteligível o tamanho de minha conquista.

4 comentários:

Jonas Torres disse...

Ramon, acompanho seu blog há um tempão: sou stalker, digo mesmo. Admiro muito seus escritos.

Paciência com o tempo, amigo. Isso me lembrou Heráclito. Ele é que dizia, o tempo é uma criança que brinca, o tempo é uma criança jogando dados, movendo as pedras do jogo para lá e para cá; governo de criança: http://bit.ly/revY1X.

Temos é que amadurecer em direção à infância. Aquele Abraço!
Jonas.

Mik disse...

Aprendi com um mestre que devemos fazer tratos com o Tempo... e mostrar quam manda por aqui. Já quebrei os dias, as horas. Hoje tudo não passa de uma continuação nada equilibrada. E que assim seja ...

Mari disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mari disse...

O silencio grita, nossos encontros são frágeis... Tocar o intimo assusta e alivia.