Não há nada que eu possa fazer dentro das paredes desta cidade se todas as casas são alheias a mim e eu a elas. Só há este bairro antigo que eu conheço e me faz sentir tão desgastado com suas escadarias de tempo.
Não há nada nos bares, pois as bebedeiras já secaram as garrafas. E pelas pessoas não há nada o que eu possa fazer se entre elas há somente muros, enquanto um mundo existe dentro de cada uma. Um mundo que não admite proximidades, muito menos estranhos, enquanto ao mesmo tempo, o que mais se deseja é ter alguém por detrás da mesma parede. Mas quando se chega perto o suficiente, só é permitido espiar por cima. Olhar a não sei quantos pés, tentando imaginar esta altura, até que alguém chega e diz que não há nada a fazer, só apertar o cinto e seguir os procedimentos de bordo.
Ir e vir, pegar as bagagens nas esteiras que não fazem nada, a não ser extraviar as malas. Não há nada mais a fazer nas viagens, apenas o movimento aparente e a chance de conhecer coisas novas que se repetem em todo lugar. E de volta ao meu quarto, percebo que não há nada que eu possa fazer além de olhar para estas paredes e escrever.
2 comentários:
Se não há o que fazer, nada fazemos. Se nada fazemos, alguém fará por nós. Aí só resta rezar para que façam algo bom.
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-Rezar por tal coisa é como pedir a um deus inexistente. E se há alguém que faça algo por nós é apenas o tempo e o espaço, num princípio de incerteza onde não se determina nem um, nem o outro.
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