24 Setembro 2011

Mutagênese



A cada passo muda a paisagem
O movimento faz mudar
É um ângulo novo,
Uma coisa nova a ser vista,
e outra.

Porém, penso que mudamos
Mais do que a paisagem.
Nem eu nem ela somos mais os mesmos
Já passou, e mais estará por vir.

Quanto ainda terá que mudar
E até quando?
Até quando meus pés andarem?

E em oposto, imagino que se eu ficar
Parado, completamente imóvel
A ponto de nem sentir o movimento
Do espaço e do tempo,
Mesmo o movimento do respirar
E do coração que bate lá dentro,

Aí sim, nada mais mudaria.
Nem eu nem a paisagem.
Tudo seria o mesmo, e no meio disso tudo,
O indistinto.

Seria pois o fim, a estagnação, a morte?
-Não, pois nada está em repouso absoluto.

Imagem: O Guia
Autor: Thalita Castello Branco

4 comentários:

Thalita. disse...

Lindo :)

Raiça Bomfim disse...

O velho confronto entre movimento/repouso, eros/tânatos, impulso/inércia...

"Quanto ainda terá que mudar
E até quando?
Até quando meus pés andarem?"

Me pergunto, e penso, "o que é a calma?" e "o que é paixão?", "o que é o novo", "o que é a memória?" etc etc...

Mutagênese!

Mik disse...

Nada é repouso. Tudo é movimento absoluto, por mais que nossa visão não veja movimento algum ... acredito que tudo se move, tudo sai do lugar, tudo está em equilíbrio constante de movimento ...

Sam Poulain disse...

A mudança de cada dia.
Para mim é tão temida quanto adorada ardentemente!
Adorei Ramon!
bjs