
Eu ando vivendo como se tudo estivesse se quebrando à minha volta. É como se eu também fosse me quebrar a qualquer instante. Mas eu não quebro. E não é por ser um vaso ruim, não.
Há algum tipo de barro, dúctil mas resistente que não me deixa rachar a cabeça.
Que não permite meus ossos fraturarem, ou que meu espírito se divida em dois.
Eu não enlouqueço, meu corpo insiste saudável, e eu não morro, ao menos por vontade.
E toda esta dureza me faz sentir o peso da gravidade que sempre insiste atirar tudo para baixo, para o chão, para a terra. Uma gravidade que mais cedo ou mais tarde, derruba, trinca e quebra tudo. Mas eu sigo num passo displicente, indiferente a todas estas rachaduras.
Mesmo assim, eu continuo de pé esperando uma queda que nunca acontece enquanto caem os outros, caem as coisas, caem até minhas pegadas sobre a terra, mas eu não caio.
Imagem: Autor desconhecido
Fonte: Google.com
3 comentários:
É a força da terra! Bravo. Te amo.
Nossos "pêsames" são leves diante a desgraça do mundo!
Aquele texto... se adequa melhor a essa frase: Quando só temos olhos para o que nos falta nos faltam olhos para ver e apreciar um bocado de coisas preciosas que já temos.
Ana Jácomo
Mas eu tbm lembrei do velho dito popular quando reli.
Abraços
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