29 Agosto 2010

Na Colina de Sísifo




Erguer pedras e vê-las rolar colina abaixo
E seguir com as mãos em concha
A carregar um punhado de areia,
Ou algum tanto de água,
Na tentativa de encher o coração
Que bombeia tantos vãos
Nas dobras da Alma.

É tentar encher o que há de mais sagrado!
Mas naquilo que há de mais sagrado
Existe sempre o furo do que é profano.

Este vaso, este relicário, este corpo
Parece nunca se agradar nem se satisfazer,
Tudo o que quer é viver sem pensar no fim
Iludindo a si e ao tempo que ainda lhe resta.

E eu alheio a tudo isso, alheio a mim mesmo
Apenas sigo com as mãos em conchas
Carregando a areia de ontem, o sangue de hoje
E a água de amanhã, que nunca irá esquecer
De elevar-se para depois rolar morro abaixo...


Imagem: Google.
Autor: Desconhecido

6 comentários:

Sam Poulain disse...

e que neste punhado n sobre a saudade!

Thalita, disse...

Condenado à humanidade, ao confronto anímico... Sísifo não perdeu.

lita.

Lis disse...

Lindo poema.

Carregar a areia, a água o sangue nas mãos em concha, é mesmo uma preciosa metáfora para as almas humanas que não se contentam...

Abraço

docerachel disse...

Que essa água possa dessedentar o mais profundo de ti.

Triste Flor disse...

Intensidades banhadas...

Beijos

Jonas Torres disse...

"A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz."

Abração,
Jonas.