
Erguer pedras e vê-las rolar colina abaixo
E seguir com as mãos em concha
A carregar um punhado de areia,
Ou algum tanto de água,
Na tentativa de encher o coração
Que bombeia tantos vãos
Nas dobras da Alma.
É tentar encher o que há de mais sagrado!
Mas naquilo que há de mais sagrado
Existe sempre o furo do que é profano.
Este vaso, este relicário, este corpo
Parece nunca se agradar nem se satisfazer,
Tudo o que quer é viver sem pensar no fim
Iludindo a si e ao tempo que ainda lhe resta.
E eu alheio a tudo isso, alheio a mim mesmo
Apenas sigo com as mãos em conchas
Carregando a areia de ontem, o sangue de hoje
E a água de amanhã, que nunca irá esquecer
De elevar-se para depois rolar morro abaixo...
Imagem: Google.
Autor: Desconhecido
6 comentários:
e que neste punhado n sobre a saudade!
Condenado à humanidade, ao confronto anímico... Sísifo não perdeu.
lita.
Lindo poema.
Carregar a areia, a água o sangue nas mãos em concha, é mesmo uma preciosa metáfora para as almas humanas que não se contentam...
Abraço
Que essa água possa dessedentar o mais profundo de ti.
Intensidades banhadas...
Beijos
"A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz."
Abração,
Jonas.
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