11 Março 2010

Atemporal




Estou para estas linhas feito o presente está para seu laço. E delicadamente, desato e abro a embalagem, com seus desenhos antigos, que cheiram saudade de não sei o que. Não é compreendido, mas o maior presente é este Presente. Pois Passado se esquece e protege tanto quanto a colcha de retalhos que minha avó nunca terminou.

Já o porvir é um santo que não existe, e esta fé é desfiar um terço que não se vê o final. Por isso quebraram-se as estátuas do amanhã em nome de todo o barro e gesso do exato agora. E agora já se foi, para vir de novo, e de velho ir novamente. Mas meus olhos deixam de ser os mesmos a cada vez que se fecham: Abrem-se e é estranho as coisas que se reconhecem.Coisas estranhamente reconhecidas que não passam das mesmas de sempre.Nada muda e mesmo assim tudo é mudado a cada instante. E de novo, e de novo, e de novo, acaba-se ficando velho, enquanto meu Presente mal se abria.

Imagem: Dibujo. Autor: Dino Valls.

7 comentários:

Thalita, disse...

:* te amo.

rafael Costa disse...

- porque o instante muda e eu já não sou o mesmo e morro sempre no passado ou no futuro, ainda não aprendi a morrer no presente.

Raiça Bomfim disse...

Ai, esse tempo que está sempre à volta e em tudo e nunca ao alcance... Quando eu acabei a leitura deste atemporal, ouvi Nana Caymmi cantando "Resposta ao Tempo".

"...
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei..."

Thalita, disse...

Rai, essa música é muito, mas muito linda. Há muito eu não ouvia... Obrigada por me fazer recordá-la.

Realmente coube aqui, nestas belas palavras de Ramon.

Resiliencia disse...

ei, brigada por ter passado la no meu espaco e ter deixado seu sentir! seus comentarios sao sempre um tanto quanto integros. valeu. ... sobre esse seu post ... hummm ... o tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tem. o tempo respondeu pro tempo, que o tempo, tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

mais ou menos isso

Sam Poulain disse...

Saudades!

Marcella disse...

No começo, fiquei meio presa na definição do passado, mas depois que me libertei destas questões mais conceituais, não só supus compreender o que dizias quanto ao passado, quanto deixei o presente tomar-me.