Estou para estas linhas feito o presente está para seu laço. E delicadamente, desato e abro a embalagem, com seus desenhos antigos, que cheiram saudade de não sei o que. Não é compreendido, mas o maior presente é este Presente. Pois Passado se esquece e protege tanto quanto a colcha de retalhos que minha avó nunca terminou.
Já o porvir é um santo que não existe, e esta fé é desfiar um terço que não se vê o final. Por isso quebraram-se as estátuas do amanhã em nome de todo o barro e gesso do exato agora. E agora já se foi, para vir de novo, e de velho ir novamente. Mas meus olhos deixam de ser os mesmos a cada vez que se fecham: Abrem-se e é estranho as coisas que se reconhecem.Coisas estranhamente reconhecidas que não passam das mesmas de sempre.Nada muda e mesmo assim tudo é mudado a cada instante. E de novo, e de novo, e de novo, acaba-se ficando velho, enquanto meu Presente mal se abria.
Imagem: Dibujo. Autor: Dino Valls.
7 comentários:
:* te amo.
- porque o instante muda e eu já não sou o mesmo e morro sempre no passado ou no futuro, ainda não aprendi a morrer no presente.
Ai, esse tempo que está sempre à volta e em tudo e nunca ao alcance... Quando eu acabei a leitura deste atemporal, ouvi Nana Caymmi cantando "Resposta ao Tempo".
"...
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei..."
Rai, essa música é muito, mas muito linda. Há muito eu não ouvia... Obrigada por me fazer recordá-la.
Realmente coube aqui, nestas belas palavras de Ramon.
ei, brigada por ter passado la no meu espaco e ter deixado seu sentir! seus comentarios sao sempre um tanto quanto integros. valeu. ... sobre esse seu post ... hummm ... o tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tem. o tempo respondeu pro tempo, que o tempo, tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.
mais ou menos isso
Saudades!
No começo, fiquei meio presa na definição do passado, mas depois que me libertei destas questões mais conceituais, não só supus compreender o que dizias quanto ao passado, quanto deixei o presente tomar-me.
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