04 Outubro 2009

Palavra Seca




Eu toquei a nota e o silêncio da música,
Já vi a tinta, mas esta borrou em meus dedos.
Conheci o grafite e também o carvão.
Mas era desafino para os ouvidos outros.

E acabei no rabisco, na palavra mal feita
E me conformo com o que sei fazer
Pois faço através e para os outros,
Para olhos distantes, e presentes,
Para o conhecido e o sem nome.

E eu não aprendi a usar a borracha
Meus erros e acertos ficaram registrados
Da letra A ao Z. E agora, quem for conviva
Quem se alegrar ou padecer, que se sirva.

Está aí, aquilo que se perdeu
Nas cordas vocais e que se achou
Por entre a dobra dos dedos.
Feito qualquer sumo que se produziu
E que escorreu pela pele.


Imagem: Google. Autor desconhecido.

9 comentários:

Leandro Jardim disse...

bom poema
este que tantas vezes se faz
válvula e tema

=]

abraços
Jardineiros

Leandro Jardim disse...

bom poema
este que tantas vezes se faz
válvula e tema

=]

abraços
Jardineiros

Pluto disse...

A notas não são feitas para serem tocadas de uma maneira perfeita, sem erros ou enganos.
Elas são feitas para serem sentidas e só assim, desafinado ou não, tocará com coração e será a mais bela música aos ouvidos daqueles que estão em sintonia com vc.
Linda poesia
Abraços

Rafael Costa disse...

Aquilo que dá essência a este seu mundo, ao nosso mundo. A arte da palavra que um dia se combinou ás notas musicais; às pinceladas brucas; a dança do corpo melódico e sensual.

Ah, há arte mais bela que poetar?

Triste Flor disse...

As vezes a palavra seca a arder sentidos,escorre pelos cantos e frestas q procuram abrigo,palavras doridas, profundas, que se vertem e que reverte emoções q as mãos nem sempre definem...lindoooo e muito muito profundo...
abçs

Ana Raquel disse...

pois é esta tua palavra seca que transborda em jardins,florescendo emoções e sentidos...

abraços poeta!

Mari disse...

E se nos fosse dado a chance de apagar o que foi de "errado", será que fariamos "certo" dessa vez?!

É lindo os seus versos...

Odele Souza disse...

Por vezes nos equivocamos nas notas, mas há que se improvisar arranjos e seguir tocando. Bonito poema.

Um abraço.

Marcella disse...

Sinto falta de vocês e dos escritos...